sábado, 2 de janeiro de 2010

A dolorosa VIDA DE HEITOR RENARD

"Devagar, devagar", ele reclamava. Heitor se sentia surpreso. "Meu pau não é tão grande assim", comentou. O outro sorriu por entre os travesseiros nos quais afundava, virou o rosto e beijou a boca do herói troiano. "É que estou um tanto dolorido". Heitor sorriu, e puxando-o de quatro espalhou sua mão naquelas nádegas morenas. "A noite ontem foi boa hein?". Tapas foram ouvidas. A mão branca do herói nas nádegas volumosas daquele negro de corpo magro explodiram alto. O outro sorriu e seu pênis vibrou de tão duro, Heitor então o agarrou, mesmo ele de quatro, com o herói cravado, e o masturbava lentamente, fazendo o jovem negro amolecer e acabar por deixar-se cair novamente a cabeça entre os travesseiros, empinado ainda. "Posso?". O outro gemeu. "Pode... vai, pode! Me fode!!".


Penúltima Estória de Heitor Renard

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

PRESENTE: O Anjo, parte I

Noite fria de primavera em Belo Horizonte. Já começaram as chuvas de verão que umedecem o ar da cidade e fazem a estação lembrar muito um inverno. Cheguei pontualmente ao Estúdio da Carne, onde havia combinado com o Behink, e acendi um cigarro enquanto esperava uma mesa. O lugar estava lotado, como sempre, pessoas conversavam e a música ambiente mal podia ser ouvida. Terminei o primeiro cigarro ainda sozinho e foi quando minha mesa ficou pronta e o garçom me levou até ela.
Sentei na mesa, de costas para a parede, observando o salão em que as pessoas bebiam e conversavam. E eu o vi, ele estava diante de mim. Sua mesa, escondida por uma coluna, não permitia que eu visse com quem conversava e ria. Então eu bebia minha cerveja e discretamente o admirava, afinal ele poderia estar com o namorado, mas também poderia não estar. Foi quando o Behink chegou, com o namorado e um amigo, sentaram-se ele e o namorado diante de mim, enquanto o amigo sentara a minha esquerda, e agora eu podia observá-lo com mais tranquilidade, por cima dos ombros do Bê.
Foi após isso que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez. E ele sorriu. E ele sorriu e eu não acreditei. "Ele deve estar se divertindo com o bobinho aqui olhando para ele", pensei. Mas continuei a olhar mesmo assim, mesmo sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas, mesmo acreditando que era impossível ele estar interessado em mim. Ele era lindo. Completamente, totalmente lindo. Um sorriso luminoso, olhos negros cobertos por um óculos cristalino, cabelo curto e magrinho. "É defintivamente meu tipo!", eu repetia. E ele continuava a me olhar e a sorrir.
Foi quando ele levantou e saiu com um Black e uma taça de vinho, se dirigindo a área de fumantes. Pedi uma caneta a garçonete e num guardanapo anotei meu telefone. Eu não planejara o que fazer ainda, entregaria-lhe o número e sairia, provavelmente. Essa era uma possibilidade! Mas pedi licença aos meninos na mesa, que agora me olhavam curiosos, e saí atrás dele. Cheguei lá e o vi, de costas, fumando. Acendi um cigarro, esperando o momento propício para abordá-lo. Foi quando ele se virou e me viu ali, com ele, e se aproximou.
Apresentações de praxe, e ele me contou seu nome de anjo, e eu meu nome de homem. "Camarada!". Conversamos pouco, na verdade, o que fazíamos, onde morávamos, se estávamos sozinhos. Ele estava com o irmão. Falamos de Natal e do Canadá, de onde ele acabara de chegar. Perguntou se eu pretendia esticar a noite e falei que ia para o The L com meus amigos ainda. "Este é o plano". Porém quando me virei, meus amgios já haviam pago a conta e agora saíam. Avisaram-me e eu falei com ele, despedindo-me, ele pediu meu telefone e eu entreguei-lhe o papel. Surpreso, eu expliquei-lhe que anotei para entregar a ele. Disse-lhe que havia saído para isso. "Então meu plano deu certo", disse ele, "porque eu saí com esta taça para você perceber que estava saindo e ficaria um tempo aqui e viesse atrpas de mim". Eu sorri, ele também, iluminando aquela noite fria. Foi quando ele me beijou. Ali na calçada do bar.
Reencontrei, então, os meus amigos e o namorado do Behink me deu os parabéns, "Alguém já saiu na frente", enquanto o Behink perguntava porque eu não o convidei para ir ao The L conosco. "Nós trocamos telefone, Bê, e ele sabe para onde estou indo", falei caminhando para o carro, "e se for me encontrar lá, já é uma prova que está interessado, não é?".

sábado, 12 de dezembro de 2009

PASSADO: Anna Karenina, capítulo 1

"Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira."

Era forró que tocava no ar quando eu vi Anna a primeira vez. Na verdade não a vi, primeiro, eu vi Jonathan que estava ao lado dela. A imensa tatuagem no braço dele, que começava no antebraço e se perdia por dentro da manga da camisa justa que usava, ressaltando-lhe os músculos, chamou-me muita atenção. Eles conversavam entre cervejas e um cigarro que tamborilava entre os dedos de unhas vermelhas que ela ostentava. Ele era moreno, de profundos olhos vivos e negros, ela tinha uma pele branca, cujos seios não muito grandes perdiam-se num corpete negro. O cabelo dela estava preso e o colo todo a mostra reluzia as cores que escapavam do palco.
Eu estava próximo a eles, observava e fui notado. Eles conversaram algo e eu notei que ela dissera um veemente não para alguma proposta dele, e me lançara um olhar morto, daqueles que só pessoas que já sofreram muito têm. O olhar morto e meio cheio de desespero. Assustado, reuni-me aos meus amigos que bebiam no bar, e fiquei por lá por um tempo, quando notei o Jonathan sozinho, agora, me rondando. Ele me olhava, ao encontrar meus olhos sorria, eu sorri também, e com a coragem que somente o álcool poderia me dar, aproximei-me. Ele se apresentou com aquela voz de barítono, contou da banda de pop rock que cantava, falou mais algumas palavras, e quando me enlaçou com aqueles braços tatuados me beijou.
Foi quando uma mão se colocou entre nós, uma mão branca com unhas vermelhas se pôs entre nós. Eu olhei sem entender o que acontecera, e Anna olhava para Jonathan com fúria, apesar dos olhos mortos que ostentava, e uma tapa explodiu na cara dele, de uma mão branca e unhas vermelhas.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A dupla VIDA DE HEITOR RENARD

Ele limpava o próprio gozo, derramado na barriga estreita, esculpido em horas a fio treinando no quartel, com folhas de papel higiênico branco, com afetado nojo, quando dirigiu a palavra a Heitor, dizendo: "Você seria um ótimo namorado!"
A declaração pegou Heitor livrando-se da camisinha usada. "Seria?", perguntou já vestindo a cueca boxer branca. O militar confirmou e acrescentou: "Você sabe fuder como um macho de verdade!". Envaidecido, Heitor voltou a cama que partilhavam. "Pena que eu não posso namorar um homem. Minha carreira, sabe?". E ele continuou a falar, contando da namorada que mantinha de fachada. Fachada para a família, fachada para os superiores. Contando que gostava realmente de homens, enquanto rolava sobre os pelos de Heitor, dirigindo-se ao músculo que o jovem militar já manipulava por dentro da cueca boxer branca.
Quando ele conseguiu, então, o que queria, e preparava-se para engolir, Heitor cantava baixinho Billy Brown, do Mika:

Oh Billy Brown needed to find some peace of mind
And on his journey and his travels on the way,
He met a girlie who was brave enough to say,
When they made love he shared the burden of his mind

Oh Billy Brown you are a victim of the times

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

PRESENTE: Como É Que É?

D: Bom dia flor do dia...

Foxx : Tinha uma resposta q rimava, mas não lembro qual é!

D: Dormiu bem???

Foxx: Dormi, sonhei a noite toda com o Bê.

D: Quem é o Bê, gente?

Foxx: O cara mais gostoso do planeta!

D: OK! Então... foi bom pra vc??

Foxx: Ah, pena q foi só um sonho!

D: Você é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito engraçado!

Foxx: Eu? Valha! O que foi que eu fiz?

D: Nada... só é hilário! Você só me faz rir!!! Às vezes, desnecessariamente, engraçado!

Foxx: Sabia que vinha uma crítica aí...

D: Claro... sabia que você é imaturo? Você conversa comigo num dia, dizendo que achou errado eu te dar um "fora"... No dia seguinte me chama pra sair e fica com um outro cara na minha frente e acorda dizendo que sonhou com um cara gostoso e que foi pena ser só um sonho!!!! Todas essas atitudes são super maduras mesmo...

Foxx: Primeiro, você me deu um fora, isso é um fato, não uma reclamação, porém eu não estou ofendido ou magoado, por isso eu te convidei para sair. Pra sair como amigo! Segundo, eu fiquei com um menino e nunca passou pela minha cabeça que você se importaria. Estou extremamente chocado em saber que vc se ofendeu!

D: Você encarou como um fora, eu não considerei isso... inclusive te expliquei a situação... fui muito bem claro ao dizer que, se você estivesse realmente afim, poderia continuar comigo e, em algum momento, poderia rolar algo... mas, se não estivesse afim de investir eu não achava legal você se desgastar porque eu não estava preparado, naquele momento, para algo mais sério!
Enfim.... fora ou não... o que importa é que tinhamos conversado um dia e você me chamou pra ir a um bar tomar uma cerveja. Não fiquei com ciumes de você, só achei desnecessário, mesmo porque você deu UM beijo no cara... ou seja, eu acho que você não estava tão afim de ficar com ele... senão teria enrolado um pouquinho mais... não teria dado um beijo e virado as costas e saido! E, por enquanto, não fique me contando os seus sonhos eróticos ou as pessoas que você ficou, enfim... eu acho desnecessário... não tivemos nenhuma relação, mas acho desagradável ficar conversando sobre essas coisas com uma pessoa que eu acabei de ficar...
Você pode perceber que eu falo do R como meu ex e tal, mas não fico falando que ele era gostoso, que na cama ele era o melhor homem do mundo, que ele era o mais bonito que eu já fiquei... isso é desagradável. Você ficar com uma pessoa e depois DIZER que ela não foi a melhor. Não tenho a pretensão de ser o melhor em tudo, assim como você também não foi, mas não preciso te dizer com todas as letras isso!!
Se eu decidi que não rola mais de ficarmos, pode ter certeza que foi uma decisão bem pensada e que eu não vou mudar de opinião por fatos como esses!

Foxx (gargalhando): Por que não? Ele me pediu um beijo. Nem pensei em você na hora! Eu não tava te provocando! E você realmente achava que a gente ficaria ficando até um dia que você resolvesse que gostaria de me namorar? Mesmo?!
Querido, em momento algum eu estava pensando nisso. Você decidiu que não quer mais ficar comigo, não foi? Então, é claro eu parti para outra. E, se eu te falei sobre o Bê, falei porque eu falaria com qualquer outro amigo. Porque, pelo menos para mim, você não é o cara que eu fiquei uma vez. Você é um amigo que por acaso a gente ficou!

D: Não estou desprezando sua amizade e digo que adorei as partes boas da nossa saida, mas é que eu não consigo conceber ficar com uma pessoa no dia e, no seguinte, ser um amigo que pede opinião sobre o "gatinho" da mesa do lado!!! Isso demanda um tempinho!

Foxx: Vamos falar a verdade, não é, querido? O fato é que nós ficamos há quase um mes! E sua raiva é que você me deu um fora e queria que eu tivesse ficado correndo atrás de você e, surpreendeu-se quando isto não aconteceu, não foi?? Desculpe! Você só tem a chance de me dar uma fora uma ÚNICA vez!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

PASSADO: Homofobia(s) I


Paula



Aquele menino de cabelos cacheados nasceu em um bairro pobre da periferia de Natal. Região perigosa àquela época, mais perigosa hoje em dia. Nossa Senhora de Nazaré. Margeado por um lado pela fartura de Lagoa Nova, um bairro de bons, com ruas asfaltadas e casas de muros altos, e, por outro, pela pobreza do Bom Pastor, onde a linha férrea cruzava por cima de um riacho poluído pelo esgoto que descia das casas pelo meio-fio das ruas. Era um bairro de imensos terrenos baldios onde nasciam mamonas e meninos corriam descalços em ruas de barro vermelho. Hoje vilas ocuparam os terrenos, a prefeitura instalou esgoto e espalhou o sólido calçamento. O riacho não existe mais. Antes os meninos faziam guerras de estilingue e faziam lanternas para quando faltasse luz, hoje eles se matam com armas de fogo e assaltam pessoas quando a luz se afasta em ruas escuras. Neste bairro ele cresceu e se formou. Cresceu um menino quase menina com seus cabelos de cachos pequenos que balançavam quando ele corria pelas ruas. E como Pombinha, cabia a ele, um único destino. Um destino marginal.
Foi neste bairro que o destino de Paulo o permitiu crescer. Cresceu ofendido pelos meninos que o destino dele o forçou a conviver preso naquele bairro que crescia tal como ele mesmo, que de menino se transformava aos poucos em homem, ou mulher? Ele sofria com essa dúvida, devia ser homem, tinha corpo de homem, mas queria ser mulher, nascera para ser mulher, tinha certeza, apesar do corpo. Mas, este mesmo destino que fizera nascer menino, ali, naquele bairro pobre da periferia de Natal, o surpreendeu um dia, quando um outro, tão diferente, tão marginal quanto ele, ao qual ele não gostava muito de envolver-se porque com medo e asco de sua própria imagem refletida no outro, preferia evita-lo. Não obstante, estavam expostos ao mesmo tratamento, de suas famílias, de seus vizinhos, daqueles outros meninos que corriam descalços no mesmo barro vermelho que eles. Este, de nome bíblico, Isaac, apareceu um dia na casa da mãe com um namorado, e toda vizinhança comentou e foi olhar. Paulo, também surpreso, foi olhar e, inflou-se de coragem e também resolveu se mostrar, e amigo do Isaac ele se tornou. Apoiado por Isaac, Paulo assumiu o seu destino e tornou-se Paula.
E os cabelos cresceram, as roupas mudaram, e ele se tornou manicure, através de remédios os seios passaram a crescer. Adotou o nome por causa de um personagem de novela que ele admirava. E ele passou a não atender mais por ele, somente ela. Agora tornara-se definitivamente Paula e passara a marcar encontros com homens através da lan house do bairro. Gastava seu dinheiro de manicure com roupas curtas e horas na internet. Sempre ia encontrar com eles na esquina de uma avenida, e enquanto ela esperava e, às vezes, algum conhecido passava, cumprimentava-o com um aceno quando não mandava um beijo. Um destes homens deve tê-lo matado numa noite de setembro. Talvez um conhecido mesmo, talvez um desconhecido da internet. E Paula foi encontrada estirada, pobre Paula, no chão, com o vestido roto e os cabelos vermelhos, mas não era tintura, era mesmo sangue, que escorrera de seu corpo para o chão, e alcançara seu cabelo. E ninguém nunca soube quem tinha matado Paula, porque não precisa, "era só um traveco de nada".

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A grandiosa VIDA DE HEITOR RENARD

Magno olhou para Heitor com aqueles profundos olhos azuis, na frente do prédio em que o herói grego morava, e disse, como quem não quer nada, que iria querer vê-lo de novo. "Claro", pensou Heitor, "depois que eu te fiz gozar duas vezes seguidas". Contudo, em silêncio o beijou. Beijou aquela mesma boca suave que procurava a do herói troiano enquanto ele cravava as unhas e o pênis duro dentro de suas nádegas suculentas. Magno o envolveu em um abraço apertado, após o beijo molhado, e repetia que queria encontra-lo de novo, e de novo, que foi muito bom tê-lo naquele dia. Heitor sorriu e Magno apertou suas coxas e o puxou novamente para outro beijo, enquanto delizava a mão para a nadega branca e lisa, por dentro da bermuda de alfaiataria preta. Elogiou-o novamente. Heitor falou então que quando desejasse poderia procura-lo, pois ele tinha seus telefones e sabia onde ele morava. "Moro no 402". Magno confirmou e disse que viria sim, que Heitor não escaparia dele, e a mão de Heitor apertou seu pênis mais uma vez por cima da calça jeans e ele sorriu. "Você é muito gostoso!", repetiu mais uma vez. Era hora já de deixar o carro e Magno pediu mais um beijo, dado, Heitor abriu a porta e dirigiu-se a portaria do condomínio, e quando abriu a porta e Magno ligou o carro, os dois já sabiam que nunca mais se veriam de novo.

 
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